Quando a Identidade Visual Cura a Reputação
Estudo de Caso: Hospital Oswaldo Cruz de Horizontina


Por que a "beleza" importa?
Para convencer uma diretoria médica a investir em design, não usei argumentos estéticos. Usei ciência comportamental. A base teórica deste projeto sustentou-se em dois pilares que validam minha metodologia:
A. Teoria da Sinalização (Michael Spence)
Em mercados de saúde, existe uma enorme assimetria de informação. O paciente leigo não sabe avaliar se a sutura foi bem feita ou se o equipamento de esterilização é de ponta. Diante dessa cegueira técnica, o cérebro humano busca "sinais" visíveis. Uma identidade visual confusa ou amadora sinaliza, inconscientemente, risco e desorganização. Ao reorganizarmos a marca, criamos um sinal caro e difícil de falsificar de competência.
B. O Efeito Halo (Edward Thorndike)
A percepção de uma qualidade (organização visual) contagia a percepção do todo (competência médica). Se a placa é nova, limpa e tipograficamente segura, o paciente assume que o bisturi também é. O design atua como o primeiro "anestésico" contra a ansiedade do paciente, gerando confiança antes mesmo do atendimento começar.
O Bisturi e a Marca
No jardim das marcas, há momentos em que a vegetação cresce desordenada, ocultando as raízes fortes que sustentam a árvore. Foi exatamente este o cenário que encontrei ao ser chamado pela diretoria da Associação Beneficente Oswaldo Cruz de Horizontina (ABOCH).
O hospital, uma instituição tecnicamente robusta e tradicional, sofria de uma instabilidade silenciosa, mas devastadora: uma crise de identidade.
Hoje, abro os portões deste projeto para mostrar como a união entre a Psicologia da Narrativa e a Estratégia de Design não apenas "mudou um logotipo", mas resgatou a confiança de toda uma comunidade.
Quando o minimalismo mata a história
O desafio central não era clínico, era semântico. A instituição havia adotado a sigla "ABOCH" como nome de fantasia. Para a gestão interna, a sigla fazia sentido organizacional. Mas e para a comunidade? Não passava de ruído. Conforme Geanine Albring de Oliveira relatou:
"Todo mundo conhecia o Hospital Oswaldo Cruz, e daqui a pouco aparece uma 'ABOCH' ali, que ninguém sabia o que era."
Havia uma ruptura na narrativa. Ao tentar "modernizar" ou abreviar, a marca havia cortado o vínculo com sua própria história. O paciente olhava para a fachada e não reconhecia mais o lugar onde seus filhos nasceram ou seus pais foram curados.
O meu insight: A solução não estava em construir algo novo, mas em cultivar o que sempre esteve lá. Minha tese para a diretoria foi clara: Precisamos fortalecer às raízes para poder crescer.
Lição para a sua Marca
Marcas autênticas e duradouras não são fabricadas rapidamente, são cultivadas.
Muitas organizações cometem o mesmo descuido da ABOCH: na ânsia de trazer uma novidade, desrespeitam a evolução da própria marca. Muitas vezes, na tentativa de "parecerem modernas", empresas eliminam símbolos históricos e aspectos vitais de sua identidade, resumindo tudo a uma tipografia genérica e sem alma. O resultado não é modernidade, é invisibilidade.
Minha metodologia de trabalho ("O Cultivo") vai na contramão dessa tendência de "limpeza excessiva". Não é sobre fazer sua empresa parecer algo que ela não é. É sobre garantir que ela pareça exatamente tão competente quanto ela é, honrando suas raízes.
Se você sente que existe um abismo entre a qualidade do que você entrega e a forma como o mercado percebe sua marca, talvez seja hora de pararmos a "jardinagem de aparências" e começarmos um cultivo estratégico.
Entre em contato e vamos conversar sobre a sinalização da sua marca.
A nova identidade visual não foi um desenho bonito; foi a materialização da promessa da marca.
O retorno foi imediato, conta a gestora de projetos do hospital:




Edward Thorndike (1874–1949) e a Ciência da Percepção
Edward Thorndike, pioneiro da psicologia comportamental, cunhou o termo "Efeito Halo" em 1920 ao provar estatisticamente que o cérebro opera por vieses cognitivos: somos incapazes de avaliar qualidades isoladamente.
Para a sua empresa, Thorndike valida que o design não é cosmético, é estratégico. Ele funciona como um atalho mental de decisão, sinalizando segurança técnica antes mesmo que o cliente experimente o serviço.
A execução visual foi consequência direta dessa estratégia. Limpamos os ruídos. Trouxemos uma tipografia que equilibra a tradição com a modernidade necessária para um centro de saúde. Mas, acima de tudo, devolvemos o NOME.
Como bem pontuou o administrador do hospital:
No setor de saúde, a confiança é o ativo mais crítico... Quando a marca conta uma história real e tradicional, o paciente sente o valor do atendimento.
— Paulo Strasser
Design como ferramenta de Confiança
Quando a gente voltou a ter ali no logotipo o nome Hospital Oswaldo Cruz... A gente sentiu esse retorno da comunidade entender que éramos nós que estávamos falando.
— Geanine Albring de Oliveira.




